sábado, 30 de novembro de 2013

Livre

Eu quero ser livre
Eu quero prender-me a ti
E não soltar-te mais
Eu quero ser livre
Mas ser livre contigo
Seremos dois pássaros
Pássaros negros
Sairemos ao crepúsculo
E nos perderemos no escuro da noite
Dois corvos livres
Pousando nos galhos da vida
Voando
Sonhando
Sorrindo

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Era noite...

   Era noite. Ela queria sair do quarto. Já não suportava mais a solidão. Sim, a solidão também cansa. Vestiu uma blusa, não por causa do frio e sim para esconder as cicatrizes. Profundas cicatrizes. Não, não foi nenhum acidente e sim ela própria. Pode parecer loucura, mas para ela era normal. Já não sentia mais nada, pouco importava.
   Ela saiu. Não sabia para onde iria, só sabia que ia sozinha. Amigos já não tinha. O sol ela já não via. Foi para um lugar deserto, odiava pessoas. Sentou-se no chão de um beco estreito e escuro. As lágrimas escorreram-lhe pela face pálida. Desviou o olhar para
o céu e conseguiu ver a lua por entre as tenebrosas
nuvens negras.
   Continuou sentada ali naquele beco frio cheio de ratos. Sentiu na pele as primeiras gotas de chuva. Aquilo de certa forma a aliviava. Era como se as gotas de chuva lavassem sua alma, cicatrizassem suas feridas que não se fechavam. Parecia anestesiada, calma. Ela nunca havia se sentido assim. Naquele beco úmido descobrira uma nova sensação, uma nova pessoa dentro de si mesma. Talvez por estar longe das pessoas, dos problemas.
   Ela queria mais! Queria que aquela sensação se tornasse uma parte dela. Disse para si mesma que, a partir daquela noite, sua vida mudaria. As coisas tomariam um novo rumo, uma nova cor.