sexta-feira, 26 de junho de 2015

Lá estava eu...

Lá estava eu, no escuro de novo me contorcendo para não esbarrar em nada.
Duas mãos me tocam.
Acariciam-me agressivamente.
Aqueles braços me sufocam.
Eu me solto.
Depois os procuro.
Rejeitam-me.
Sento desolada no chão frio.
Sinto que algo puxa meu cabelo.
Caio bruscamente para trás.
Uma das mãos pega a minha mão direita, fazendo-a tocar um rosto morno.
Ouço batimentos tranquilos em contraste com os meus, que estão agora acelerados.
Não encontro forças para levantar-me.
Em um instante, tudo se acalma.
Não sinto mais o rosto, as mãos e não ouço mais os batimentos.
Um silêncio perturbador preenche o lugar.
Começo a chorar.
Cubro os olhos com as mãos e sinto um vazio surgir, embrulhando meu estômago.
Descubro os olhos subitamente.
O que está agora ao meu redor é um lugar branco.
Não há nada mais que um branco, que quase me cega.
Espera!
O que é aquilo se movendo ali, distante?
Eu corro, corro e corro na direção do estranho ser.
Quanto mais eu corro, mais distante ele parece ficar.
De repente, tudo se escurece.
Apago.
Acordo caída no chão sobre um tecido macio e confortável.
Minha cabeça dói.
Continua escuro.
Ouço passos lentos vindo em minha direção.
O barulho cessa quando sinto uma presença bem perto de onde estou.
Meu rosto é acariciado, delicadamente.
Também levo minhas mãos àquela face desconhecida e a acaricio.
Uma pele lisa, macia e morna.
Calmamente, levo minhas mãos agora ao pescoço.
O aperto firmemente.
Não houve hesitação.
Finalmente, acordo daquele sonho.
E lá estava eu, no escuro de novo me perguntando o que havia acontecido.