terça-feira, 25 de novembro de 2014

Palavras

Trago-lhe, envoltas em um embrulho desgastado, com uma fitinha de seda vermelha, as palavras extraídas do meu coração. Peneirei-as com cuidado, para dizer somente o que é claro. Quero que não faça desfeita e as aceite, mesmo que fiquem na gaveta, esquecidas. Deve haver algumas manchas espalhadas pela carta... São somente as minhas lágrimas, doces e amargas, enfeitando o papel amassado. Trago-lhe também uma rosa. Ela tem um pouco de meu sangue. Perfurei-me com os espinhos. Não doeu tanto quanto tudo que sinto. Não tanto quanto três palavras, quanto uma só frase.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Hoje não consegui dormir

Por muito tempo acreditei em muitas coisas. Fantasiei um mundo que não existe para simplesmente conseguir viver um dia após o outro. Hoje vejo que não consigo mais. Lágrimas formam-se em meus olhos agora... Pensamentos negativos invadiram-me de tal forma que não consigo tirá-los de minha mente. Os sonhos bonitos foram parar em algum lugar inalcançável para mim. Hoje não consegui dormir. Estranho... Pois dormir estava sendo o meu refúgio. Levantar da cama era torturante. Pensar que iria ver tantas pessoas ao meu redor me desanimava. Hoje não me importo. Nem dá para contar quantas vezes digo a mim mesma que me odeio e que odeio todos... Hoje podem contar-me a piada mais engraçada do mundo, mas não irei rir.

sábado, 2 de agosto de 2014

Droga de vida

Sinto que estou vagando
Um espírito perdido
A cada manhã estou em um mundo diferente
O semblante do rosto sempre deprimido
Faço poesia na janela do ônibus
Manhã pálida
Viajo sem rumo
Indo a lugar nenhum
Somente fugindo de mim
Mais uma noite em claro
Álcool circulando no sangue
Ainda estou sob o efeito da droga
Droga de vida
Quero chegar ao meu destino

Pés descalços

Caminho cambaleando pela rua fria e molhada por causa da chuva que caíra. 
As pedras machucam meus pés descalços. 
Observo as fachadas mórbidas das casas antigas e desbotadas.
Não sei para onde irei. 
Simplesmente cansei e resolvi abandonar tudo. 
Mas não tenho nada... 
Só esse corpo cansado e essa alma inquieta, insatisfeita. 
Vejo uma criança sentada na calçada suja de lama, tremendo seus ossos de frio. 
Ela estende a mão na minha direção. 
Meu coração dói, contrai-se no peito. 
Abaixo a cabeça e continuo a me arrastar.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sofro, pois amo

Sofro, pois amo.
Amo, pois preciso.
Preciso, pois não vivo sem amor.
Não vivo sem amor, pois seria tudo vazio demais.
A vida sem amor é oca, desnecessária.
Não me vejo nesse mundo sem amar, sem sofrer.
Pois amor é sofrimento, é morrer.
Não. Eu não tenho que ser feliz sozinha.
Eu não quero ser feliz sozinha.
Eu simplesmente não seria.
Não faz sentido.
Quando não o tenho
Tento substituir essa necessidade por coisas banais.
Embriago-me com bebidas baratas.
O que quero é amar.
E por sorte, ser amado...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Harmonia

Eu estou bem
Claro que poderia estar melhor
Mas nas circunstâncias em que me encontro
Dizer que estou bem já é um enorme progresso
Sem lágrimas e sem sorrisos
Sinto-me bem assim
Estou em cima do muro
Em uma perfeita harmonia
Claro que isso não vai durar por muito tempo
A ficha da realidade sempre cai
Mas enquanto estou anestesiada
O que me resta é aproveitar
Até que a nuvem negra volte a pairar sobre minha cabeça

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Labirinto

Estou presa em um labirinto.
As portas que tento abrir estão trancadas.
Vozes distintas embaralham-se em minha mente.
Imploro por socorro...
Estou sozinha.
Crucifixos enfeitam as paredes arranhadas.
Espelhos refletem minha imagem.
Estou destruída!
Sombras se mexem...
Mãos se aproximam em minha direção.
Sinto-me morta.
Não há expressão em meus olhos.
A morte me persegue...
Estou sem forças para continuar a fugir.
Eu me rendo.
Por favor, me leve!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Despedida

Olhando-o com os olhos cheios de ternura e dor, repousou suavemente as mãos frias e delicadas sobre sua pele. Inclinou-se cautelosamente e beijou pela ultima vez aquela face que outrora a confortara. O amado dormia como um anjo. Por um instante, sorriu. Lembrou-se dos belos momentos vividos e compartilhados. Mas depois a tristeza inundou sua alma. Seus olhos perderam o brilho e deram lugar às lágrimas. Sabia que não era o certo a fazer, mas que outra escolha teria? Tinha que partir. Ficar agravaria ainda mais a dor. Não sentia merecedora daquele amor. Julgava-se inferior, alguém que nasceu para viver a solidão e sofrer as dores que a vida lhe proporcionava. Sua mente não a libertava da escuridão, do desespero. Não aguentava mais sorrir com o coração dilacerado. Sabia que nunca deixaria de amá-lo. Temia não ser perdoada pelo que estava prestes a fazer. Estava quase inconsciente de tanto pavor que sentia. Subitamente, pegou a faca e cravou em seu peito. Enfim, partiu eternamente.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Que amor?

Seu rosto ardia.
Olhou no espelho e viu a marca de cinco dedos no lado direito de sua face.
Ela chorava.
Seu corpo doía.
Começou a contar as manchas arroxeadas espalhadas pela pele.
Parou.
Não quis mais continuar.
Estava destruída.
Por fora sentia pena de si mesma.
Uma mulher acabada, sem vida.
Por dentro estava completamente abalada.
Quem pensa que as cicatrizes estão somente por fora...
Não sabia como havia chegado a esse ponto.
Como ela pôde deixar de amar a si mesma pelo amor?
Espera. Que amor?
Não, isso não é amor.
Pode ser tudo, menos amor.
Tornou-se uma escrava.
Um objeto.
Que horror!
Não era para ser um conto de fadas?
Não seriam felizes para sempre?
O que está fazendo ali?
Ajudem-na!
Sentia ódio de si mesma.
Olhou para a janela de seu apartamento.
Queria se livrar disso.
Jogou-se do sétimo andar.
Foi fatal.
O assassino? Fugiu.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Final de tarde

A tarde chega ao fim.
Está tudo tão calmo...
O verde das árvores contrasta-se com os dourados raios de sol.
Uma pipa se ergue ao longe.
Posso ouvir as gargalhadas das crianças brincando.
Ouço o som dos pássaros.
Vozes e latidos ecoam...
Eu apenas ouço
E escrevo.
Percebo que na verdade são três pipas no céu.
Elas dançam com a calma melodia do vento.
Ainda posso ver o brilho do sol por entre as árvores.
Os meus olhos também brilham.
Observo tranquilamente.
Há muito barulho...
Tudo acontece ao mesmo tempo.
Um pássaro voa solitário.
As nuvens espalham-se.
O sol está quase se pondo.
Espero paciente para ver o lindo espetáculo.
O verde vivo vai se escurecendo.
Mas ainda vejo algumas folhas douradas.
O sol se esconde.
As luzes da pequena cidade começam a ascender.
A escuridão vem vindo fazer-me companhia.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Não chores meu querido

Não chores meu querido
Pois cada lágrima que brota de teus olhos tristes
Deixa meu pobre coração ainda mais ferido
Pare e ouça esta canção
Es a melodia dos deprimidos
Venha dançar comigo
Sob a luz da senhora dos corações partidos
Vamos juntar nossos pedaços meu amigo
Remendar nossos cacos
Unir as forças de dois fracos
E livrar-nos desse castigo

sábado, 18 de janeiro de 2014

Pura semelhança

Eu sei como se sente...
Pode não acreditar,
Mas eu sei assim como você também sabe como me sinto.
Nossas almas são tão semelhantes e inquietas.
A intensidade como vemos tudo,
Como sentimos...
A sintonia como nossos pensamentos encontram-se,
Entendem-se...
Os nossos medos,
Os nossos sonhos, são tão parecidos!
As mesmas mentes confusas...
As mesmas dúvidas.
Será uma pura semelhança
Ou uma simples coincidência?

O dia em que minha alma para sempre se escureceu

Lembro-me do dia em que minha alma para sempre se escureceu.
Estava frio...
As folhas das árvores haviam caído.
As rosas murcharam.
O vento triste batia em minha janela
Fazendo dançar as cortinas desbotadas.
Sentado em frente à lareira apagada,
Olhava fixamente para além da janela.
A paisagem que via
É a mais triste das recordações...
Carrego essa imagem como uma cruz em minha memória.
A lápide que ali repousava,
Trazia estas palavras gravadas:
“Aqui jaz a alma de um ser que nunca mais verá a luz outra vez.”

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Confusão

Fiquei um tempo sem escrever. Confesso que eu simplesmente não conseguia. Às vezes as palavras vinham em mente, mas era quase impossível organizá-las e colocá-las no papel. Passei, e ainda estou passando, por um momento de grande confusão. Às vezes penso que minha cabeça irá explodir a qualquer momento ou que essa dor que se apodera de meu coração se alastrará para todo o meu corpo e eu simplesmente deixe de existir. Sim, é confuso... Agora, neste momento, sinto uma imensa alegria por estar escrevendo estas palavras, esses desabafos. Uma pessoa dificilmente me entenderia, por isso prefiro escrever. Nem eu própria entendo este amontoado de sentimentos, por que é que alguém entenderia? Às vezes me chateio por não ser compreendida, mas também acho bom. Seria íntimo demais alguém desvendar essa mente embaralhada. Quando tento dizer a alguém o que está se passando dentro de mim, sinto que estou expondo algo valioso demais. Talvez seja essa a razão pela qual não conto da minha vida a todos como alguns fazem. Ela é um livro fechado e somente eu posso abri-lo. O que está em minha mente é algo meu. Por isso prefiro suportar tudo sozinha.