quinta-feira, 17 de abril de 2014

Que amor?

Seu rosto ardia.
Olhou no espelho e viu a marca de cinco dedos no lado direito de sua face.
Ela chorava.
Seu corpo doía.
Começou a contar as manchas arroxeadas espalhadas pela pele.
Parou.
Não quis mais continuar.
Estava destruída.
Por fora sentia pena de si mesma.
Uma mulher acabada, sem vida.
Por dentro estava completamente abalada.
Quem pensa que as cicatrizes estão somente por fora...
Não sabia como havia chegado a esse ponto.
Como ela pôde deixar de amar a si mesma pelo amor?
Espera. Que amor?
Não, isso não é amor.
Pode ser tudo, menos amor.
Tornou-se uma escrava.
Um objeto.
Que horror!
Não era para ser um conto de fadas?
Não seriam felizes para sempre?
O que está fazendo ali?
Ajudem-na!
Sentia ódio de si mesma.
Olhou para a janela de seu apartamento.
Queria se livrar disso.
Jogou-se do sétimo andar.
Foi fatal.
O assassino? Fugiu.

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