Olhando-o com os olhos cheios de ternura e dor, repousou suavemente as mãos frias e delicadas sobre sua pele. Inclinou-se cautelosamente e beijou pela ultima vez aquela face que outrora a confortara. O amado dormia como um anjo. Por um instante, sorriu. Lembrou-se dos belos momentos vividos e compartilhados. Mas depois a tristeza inundou sua alma. Seus olhos perderam o brilho e deram lugar às lágrimas. Sabia que não era o certo a fazer, mas que outra escolha teria? Tinha que partir. Ficar agravaria ainda mais a dor. Não sentia merecedora daquele amor. Julgava-se inferior, alguém que nasceu para viver a solidão e sofrer as dores que a vida lhe proporcionava. Sua mente não a libertava da escuridão, do desespero. Não aguentava mais sorrir com o coração dilacerado. Sabia que nunca deixaria de amá-lo. Temia não ser perdoada pelo que estava prestes a fazer. Estava quase inconsciente de tanto pavor que sentia. Subitamente, pegou a faca e cravou em seu peito. Enfim, partiu eternamente.

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