quinta-feira, 17 de abril de 2014

Que amor?

Seu rosto ardia.
Olhou no espelho e viu a marca de cinco dedos no lado direito de sua face.
Ela chorava.
Seu corpo doía.
Começou a contar as manchas arroxeadas espalhadas pela pele.
Parou.
Não quis mais continuar.
Estava destruída.
Por fora sentia pena de si mesma.
Uma mulher acabada, sem vida.
Por dentro estava completamente abalada.
Quem pensa que as cicatrizes estão somente por fora...
Não sabia como havia chegado a esse ponto.
Como ela pôde deixar de amar a si mesma pelo amor?
Espera. Que amor?
Não, isso não é amor.
Pode ser tudo, menos amor.
Tornou-se uma escrava.
Um objeto.
Que horror!
Não era para ser um conto de fadas?
Não seriam felizes para sempre?
O que está fazendo ali?
Ajudem-na!
Sentia ódio de si mesma.
Olhou para a janela de seu apartamento.
Queria se livrar disso.
Jogou-se do sétimo andar.
Foi fatal.
O assassino? Fugiu.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Final de tarde

A tarde chega ao fim.
Está tudo tão calmo...
O verde das árvores contrasta-se com os dourados raios de sol.
Uma pipa se ergue ao longe.
Posso ouvir as gargalhadas das crianças brincando.
Ouço o som dos pássaros.
Vozes e latidos ecoam...
Eu apenas ouço
E escrevo.
Percebo que na verdade são três pipas no céu.
Elas dançam com a calma melodia do vento.
Ainda posso ver o brilho do sol por entre as árvores.
Os meus olhos também brilham.
Observo tranquilamente.
Há muito barulho...
Tudo acontece ao mesmo tempo.
Um pássaro voa solitário.
As nuvens espalham-se.
O sol está quase se pondo.
Espero paciente para ver o lindo espetáculo.
O verde vivo vai se escurecendo.
Mas ainda vejo algumas folhas douradas.
O sol se esconde.
As luzes da pequena cidade começam a ascender.
A escuridão vem vindo fazer-me companhia.