terça-feira, 25 de novembro de 2014

Palavras

Trago-lhe, envoltas em um embrulho desgastado, com uma fitinha de seda vermelha, as palavras extraídas do meu coração. Peneirei-as com cuidado, para dizer somente o que é claro. Quero que não faça desfeita e as aceite, mesmo que fiquem na gaveta, esquecidas. Deve haver algumas manchas espalhadas pela carta... São somente as minhas lágrimas, doces e amargas, enfeitando o papel amassado. Trago-lhe também uma rosa. Ela tem um pouco de meu sangue. Perfurei-me com os espinhos. Não doeu tanto quanto tudo que sinto. Não tanto quanto três palavras, quanto uma só frase.