quinta-feira, 5 de março de 2015

Esboço

Sussurra
Ninguém ouve
Grita
Não percebem
Os toca
Não sentem
Sente
Não se importam
Está
Fingem não ver
O esboço de um corpo insiste em transitar
Está ali
Mas não está
A carne, que é humana, enraivece
Entristece
Porém, a alma
Cigana
Transcendesse

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tesouro

Ao cortar aquela pele
Não havia órgãos
Havia flores
O ambiente ficou perfumado
E borboletas entraram pela janela
Elas dançavam em volta do corpo
Pareciam ter sede dela
Mas a minha era maior
Costurei-a
E as borboletas se foram
Desconsoladas
Que grande tesouro eu possuía

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Palavras

Trago-lhe, envoltas em um embrulho desgastado, com uma fitinha de seda vermelha, as palavras extraídas do meu coração. Peneirei-as com cuidado, para dizer somente o que é claro. Quero que não faça desfeita e as aceite, mesmo que fiquem na gaveta, esquecidas. Deve haver algumas manchas espalhadas pela carta... São somente as minhas lágrimas, doces e amargas, enfeitando o papel amassado. Trago-lhe também uma rosa. Ela tem um pouco de meu sangue. Perfurei-me com os espinhos. Não doeu tanto quanto tudo que sinto. Não tanto quanto três palavras, quanto uma só frase.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Hoje não consegui dormir

Por muito tempo acreditei em muitas coisas. Fantasiei um mundo que não existe para simplesmente conseguir viver um dia após o outro. Hoje vejo que não consigo mais. Lágrimas formam-se em meus olhos agora... Pensamentos negativos invadiram-me de tal forma que não consigo tirá-los de minha mente. Os sonhos bonitos foram parar em algum lugar inalcançável para mim. Hoje não consegui dormir. Estranho... Pois dormir estava sendo o meu refúgio. Levantar da cama era torturante. Pensar que iria ver tantas pessoas ao meu redor me desanimava. Hoje não me importo. Nem dá para contar quantas vezes digo a mim mesma que me odeio e que odeio todos... Hoje podem contar-me a piada mais engraçada do mundo, mas não irei rir.

sábado, 2 de agosto de 2014

Droga de vida

Sinto que estou vagando
Um espírito perdido
A cada manhã estou em um mundo diferente
O semblante do rosto sempre deprimido
Faço poesia na janela do ônibus
Manhã pálida
Viajo sem rumo
Indo a lugar nenhum
Somente fugindo de mim
Mais uma noite em claro
Álcool circulando no sangue
Ainda estou sob o efeito da droga
Droga de vida
Quero chegar ao meu destino

Pés descalços

Caminho cambaleando pela rua fria e molhada por causa da chuva que caíra. 
As pedras machucam meus pés descalços. 
Observo as fachadas mórbidas das casas antigas e desbotadas.
Não sei para onde irei. 
Simplesmente cansei e resolvi abandonar tudo. 
Mas não tenho nada... 
Só esse corpo cansado e essa alma inquieta, insatisfeita. 
Vejo uma criança sentada na calçada suja de lama, tremendo seus ossos de frio. 
Ela estende a mão na minha direção. 
Meu coração dói, contrai-se no peito. 
Abaixo a cabeça e continuo a me arrastar.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sofro, pois amo

Sofro, pois amo.
Amo, pois preciso.
Preciso, pois não vivo sem amor.
Não vivo sem amor, pois seria tudo vazio demais.
A vida sem amor é oca, desnecessária.
Não me vejo nesse mundo sem amar, sem sofrer.
Pois amor é sofrimento, é morrer.
Não. Eu não tenho que ser feliz sozinha.
Eu não quero ser feliz sozinha.
Eu simplesmente não seria.
Não faz sentido.
Quando não o tenho
Tento substituir essa necessidade por coisas banais.
Embriago-me com bebidas baratas.
O que quero é amar.
E por sorte, ser amado...