Aqueles olhos profundos era o que
mais me intrigava nela. Havia um abismo preso neles e eu lutava para não cair.
Pareciam ter o poder de hipnotizar quem ousava os fitar. Eu não resistia.
Preferia sofrer todas as consequências do que ignorá-los e deixar de sentir que
algo me dilacerava. Eu gostava daquela dor. Queria sofrer.
Ela me maltratava. Era como estar
em uma cadeira elétrica e cada descarga de eletricidade me teletransportava
para um novo mundo, desconhecido e irresistível.
Até que, um dia, os olhos dela
mudaram de expressão. Pareciam satisfeitos. Fiquei em estado de choque. Onde estavam
aqueles olhos obscuros vindo em minha direção? Ela então disse que, por mim,
eles haviam morrido. Nunca me odiei tanto quanto naquele momento. Jamais me
perdoarei.





