terça-feira, 3 de junho de 2014

Despedida

Olhando-o com os olhos cheios de ternura e dor, repousou suavemente as mãos frias e delicadas sobre sua pele. Inclinou-se cautelosamente e beijou pela ultima vez aquela face que outrora a confortara. O amado dormia como um anjo. Por um instante, sorriu. Lembrou-se dos belos momentos vividos e compartilhados. Mas depois a tristeza inundou sua alma. Seus olhos perderam o brilho e deram lugar às lágrimas. Sabia que não era o certo a fazer, mas que outra escolha teria? Tinha que partir. Ficar agravaria ainda mais a dor. Não sentia merecedora daquele amor. Julgava-se inferior, alguém que nasceu para viver a solidão e sofrer as dores que a vida lhe proporcionava. Sua mente não a libertava da escuridão, do desespero. Não aguentava mais sorrir com o coração dilacerado. Sabia que nunca deixaria de amá-lo. Temia não ser perdoada pelo que estava prestes a fazer. Estava quase inconsciente de tanto pavor que sentia. Subitamente, pegou a faca e cravou em seu peito. Enfim, partiu eternamente.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Que amor?

Seu rosto ardia.
Olhou no espelho e viu a marca de cinco dedos no lado direito de sua face.
Ela chorava.
Seu corpo doía.
Começou a contar as manchas arroxeadas espalhadas pela pele.
Parou.
Não quis mais continuar.
Estava destruída.
Por fora sentia pena de si mesma.
Uma mulher acabada, sem vida.
Por dentro estava completamente abalada.
Quem pensa que as cicatrizes estão somente por fora...
Não sabia como havia chegado a esse ponto.
Como ela pôde deixar de amar a si mesma pelo amor?
Espera. Que amor?
Não, isso não é amor.
Pode ser tudo, menos amor.
Tornou-se uma escrava.
Um objeto.
Que horror!
Não era para ser um conto de fadas?
Não seriam felizes para sempre?
O que está fazendo ali?
Ajudem-na!
Sentia ódio de si mesma.
Olhou para a janela de seu apartamento.
Queria se livrar disso.
Jogou-se do sétimo andar.
Foi fatal.
O assassino? Fugiu.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Final de tarde

A tarde chega ao fim.
Está tudo tão calmo...
O verde das árvores contrasta-se com os dourados raios de sol.
Uma pipa se ergue ao longe.
Posso ouvir as gargalhadas das crianças brincando.
Ouço o som dos pássaros.
Vozes e latidos ecoam...
Eu apenas ouço
E escrevo.
Percebo que na verdade são três pipas no céu.
Elas dançam com a calma melodia do vento.
Ainda posso ver o brilho do sol por entre as árvores.
Os meus olhos também brilham.
Observo tranquilamente.
Há muito barulho...
Tudo acontece ao mesmo tempo.
Um pássaro voa solitário.
As nuvens espalham-se.
O sol está quase se pondo.
Espero paciente para ver o lindo espetáculo.
O verde vivo vai se escurecendo.
Mas ainda vejo algumas folhas douradas.
O sol se esconde.
As luzes da pequena cidade começam a ascender.
A escuridão vem vindo fazer-me companhia.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Não chores meu querido

Não chores meu querido
Pois cada lágrima que brota de teus olhos tristes
Deixa meu pobre coração ainda mais ferido
Pare e ouça esta canção
Es a melodia dos deprimidos
Venha dançar comigo
Sob a luz da senhora dos corações partidos
Vamos juntar nossos pedaços meu amigo
Remendar nossos cacos
Unir as forças de dois fracos
E livrar-nos desse castigo

sábado, 18 de janeiro de 2014

Pura semelhança

Eu sei como se sente...
Pode não acreditar,
Mas eu sei assim como você também sabe como me sinto.
Nossas almas são tão semelhantes e inquietas.
A intensidade como vemos tudo,
Como sentimos...
A sintonia como nossos pensamentos encontram-se,
Entendem-se...
Os nossos medos,
Os nossos sonhos, são tão parecidos!
As mesmas mentes confusas...
As mesmas dúvidas.
Será uma pura semelhança
Ou uma simples coincidência?

O dia em que minha alma para sempre se escureceu

Lembro-me do dia em que minha alma para sempre se escureceu.
Estava frio...
As folhas das árvores haviam caído.
As rosas murcharam.
O vento triste batia em minha janela
Fazendo dançar as cortinas desbotadas.
Sentado em frente à lareira apagada,
Olhava fixamente para além da janela.
A paisagem que via
É a mais triste das recordações...
Carrego essa imagem como uma cruz em minha memória.
A lápide que ali repousava,
Trazia estas palavras gravadas:
“Aqui jaz a alma de um ser que nunca mais verá a luz outra vez.”

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Confusão

Fiquei um tempo sem escrever. Confesso que eu simplesmente não conseguia. Às vezes as palavras vinham em mente, mas era quase impossível organizá-las e colocá-las no papel. Passei, e ainda estou passando, por um momento de grande confusão. Às vezes penso que minha cabeça irá explodir a qualquer momento ou que essa dor que se apodera de meu coração se alastrará para todo o meu corpo e eu simplesmente deixe de existir. Sim, é confuso... Agora, neste momento, sinto uma imensa alegria por estar escrevendo estas palavras, esses desabafos. Uma pessoa dificilmente me entenderia, por isso prefiro escrever. Nem eu própria entendo este amontoado de sentimentos, por que é que alguém entenderia? Às vezes me chateio por não ser compreendida, mas também acho bom. Seria íntimo demais alguém desvendar essa mente embaralhada. Quando tento dizer a alguém o que está se passando dentro de mim, sinto que estou expondo algo valioso demais. Talvez seja essa a razão pela qual não conto da minha vida a todos como alguns fazem. Ela é um livro fechado e somente eu posso abri-lo. O que está em minha mente é algo meu. Por isso prefiro suportar tudo sozinha.